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Colômbia: astro da seleção se torna 'herói' da direita

James Rodríguez passou reto por filha do presidente esquerdista e depois se desculpou

James Rodriguez Colômbia
James Rodriguez fez o gol mais bonito da Copa de 2014 | Foto: Facebook/James Rodriguez

A camisa da Colômbia tem sido motivo de polêmica no país. Horas antes dessa despedida, a juíza Aura Luz Forero, do Juizado 120 Penal Municipal de Bogotá, emitiu uma medida provisória. O parecer atendeu a um pedido que exigia que o candidato presidencial de direita, Abelardo de la Espriella, e seu movimento, Defensores de la Patria, parassem imediatamente de usar a camisa da seleção em suas propagandas, redes sociais e comícios.

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Segundo a Justiça, o uso eleitoral feria o direito de igualdade e o candidato tentava se apropriar de um símbolo nacional que pertence a todos. Em 31 de maio, Espriella conquistara uma vitória sobre o opositor Iván Cepeda, do esquerdista Pacto Histórico, coalizão do presidente Gustavo Petro. Espriella obteve 43,74% dos votos, contra 40,90% de Cepeda. O segundo turno ocorrerá em 21 de junho. Dois dias depois, a Colômbia jogará contra Congo, sem sua segunda partida na Copa do Mundo.

Horas depois da proibição da juíza, no entanto, ocorreu a cerimônia de despedida da seleção colombiana na Base Aérea de CATAM, em Bogotá, com a presença do presidente Petro e de sua filha Antonella Petro, 17 anos. Ambos com a camisa da seleção.

“A liberdade de expressão inclui vestir-se como cada um quiser, sem imposições”, desabafou a opositora, a liberal senadora María Fernanda Cabal. “Viva a seleção.”

Enquanto Petro e Antonella participavam da despedida, a jovem se aproximou do ídolo do time, James Rodriguez, e, conforme cenas divulgadas em um vídeo, pediu uma foto ao jogador. James, autor do gol mais bonito da Copa do Mundo de 2014, passou direto e continuou cumprimentando a comitiva. O suposto desprezo de James virou debate nacional.

Andrea Petro, irmã mais velha de Antonella, fez duras críticas ao jogador nas redes sociais, considerando a atitude de desrespeitosa. Outros políticos e torcedores também rejeitaram o comportamento de James. O meia afirmou que não escutou o chamado de Antonella por causa do barulho na cerimônia oficial e brincou dizendo “na próxima, fale mais alto”. Antonella também contornou a situação e, aceitando as desculpas, pediu união em torno da seleção. Petro, em seguida, também buscou encerrar a situação e apoiou James.

Petro, porém, se desgastou, por também estar com a camisa da seleção no momento da despedida da equipe. Políticos da ala conservadora, como a senadora María Fernanda acusaram o governo de esquerda de tentar “monopolizar” os símbolos nacionais.

Craque da Colômbia

Quando o vídeo de James Rodríguez viralizou, o episódio passou a ser interpretado também sob uma ótica política. O debate público dividiu-se entre apoiadores e opositores do governo. Aliados de Petro, como a vereadora de Bogotá Heidy Sánchez, interpretaram a atitude de James como uma falta de respeito à família presidencial. Já grupos de oposição saíram em defesa do jogador e criticaram a repercussão do caso.

Leia mais: “Petro chama de ‘interferência’ apoio de Trump a candidato da direita colombiana”

Para jornalistas colombianos, a questão principal envolve a presença da seleção em um evento oficial do governo. Críticos alegaram que a imagem dos atletas poderia ser associada a interesses políticos, enquanto defensores do evento argumentaram que se tratava de uma cerimônia institucional de despedida da delegação.

Os próprios atletas colombianos tem demonstrado incômodo, segundo jornalistas locais, em relação ao uso da seleção por políticos. A repercussão levou James Rodríguez, Antonella e o próprio presidente a se manifestarem publicamente nos dias seguintes, para encerrar a controvérsia.

James, porém, se tornou um “herói político” para grupos de oposição. Eles defenderam o jogador abertamente por supostamente não validar a imagem pública do presidente de esquerda. Voluntariamente ou não.

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1 comentário
  1. Plínio de Assis Tavares Junior
    Plínio de Assis Tavares Junior

    Cada qual veste o que quer, ninguém pode monopolizar as cores da bandeira de seu país.

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